sexta-feira, 8 de abril de 2011

ATIRADOR DO RIO - REALENGO

                                      Wellington, 23 anos, o executor


 Massacre de doze crianças comove todo o Brasil

Ex-aluno invadiu um colégio no Rio e disparou contra estudantes na manhã de quinta-feira.

Da Redação

Letra 


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Rio de Janeiro - A tragédia irrompeu a rotina de uma escola da periferia ontem do Rio de Janeiro onde um ex-aluno aparentemente desequilibrado, atirou contra crianças que assistiam às primeiras aulas do dia, matou 12 delas e feriu outros 13, antes de cometer suicídio. O massacre causou comoção no Brasil, que apesar dos índices de violência nunca tinha sido cenário de uma tragédia deste tipo, o que provocou o "repúdio" da presidente Dilma Rousseff.

Os fatos ocorreram na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, um bairro da zona oeste da cidade, por volta das 8 horas, cuja normalidade foi alterada pelos disparos do assassino que causaram pânico entre os mais de 400 estudantes do colégio e entre os moradores que se amontoaram em frente ao local na busca de notícias de seus filhos.

Muitos pais entraram em estado de choque ao constatar que seus filhos estavam entre os mortos e feridos enquanto os bombeiros corriam para levar as vítimas em ambulâncias e helicópteros aos hospitais.

As vítimas mortais são 10 meninas e dois meninos entre 12 e 14 anos de idade, a maioria foi atingida por balas na cabeça e no tórax, segundo a Secretaria de Saúde. Outros 13 estudantes que ficaram feridos foram transferidos para diferentes hospitais da região e, segundo os médicos, quatro deles estão em estado grave.

Assim que os feridos foram atendidos pelos bombeiros, a comoção chegou aos hospitais, especialmente ao Albert Schwitzer, o mais próximo do local, onde durante toda a manhã reuniu familiares que se abraçavam ao se informarem dos detalhes da tragédia. Segundo as autoridades, dois dos meninos feridos conseguiram sair da escola e pediram ajuda a três policiais que faziam blitz na região. Os policiais entraram imediatamente na escola e um deles atirou nas pernas do atirador, quando este subia as escadas em direção ao terceiro andar.
O atirador, identificado como Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, era ex-aluno da escola e cometeu suicídio. Oliveira, que de acordo com um antigo patrão era uma pessoa "introvertida e calma", deixou uma carta de suicídio. Ainda há 11 crianças internadas. (EFE)

"Quero ver minha filha andar novamente"

O drama da comerciante Andréa Tavares começou ontem pela manhã, quando recebeu um telefonema dizendo que a filha dela, Taiane Tavares Pereira, 13 anos, estava entre as vítimas do massacre na escola. Ao chegar ao Hospital Estadual Albert Schweitzer, para onde foram levados inicialmente 13 alunos feridos, Andréa ficou sabendo que o caso da filha era grave. Os médicos disseram que a estudante da 7.ª série foi atingida por três tiros, sendo que fragmentos dos projéteis se alojaram na área da medula. Segundo Andréa, a filha não estava conseguindo sentir as pernas e corre o risco de ficar paraplégica. "O que eu quero é ver a minha filha andar novamente", pedia a comerciante, lembrando que Taiane estava praticando atletismo, na modalidade de salto em distância. "Ela estava muito feliz com a possibilidade de vir a competir".
Como o caso de Taiane é grave, a menina foi transferida para o Hospital Adão Pereira Nunes para ser operada. (ABr)

Pais deixam o IML chorando pelos filhos

O clima é de consternação no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio, onde estão os corpos das vítimas. Waldir Nascimento, pai de Milena dos Santos Nascimento, 14 anos, aluna do 6.º ano, deixou o prédio chorando, depois de reconhecer o corpo da filha. "Ela adorava a escola, não tinha faltado nenhum dia este ano", contou Nascimento, que tem mais duas filhas na escola. Elas não sofreram nada. Ele pretende retirá-las do colégio. Sobre a segurança da escola, Nascimento não culpa o Estado. "O que ele (o atirador) fez lá podia ter feito na Central do Brasil ou na praia. Não vou culpar o governo." Suely Guedes, mãe de Jéssica Guedes Pereira, 15 anos, já havia reconhecido a filha por foto no Hospital Albert Schweitzer, mas a família só confirmou a morte no IML. "O sonho dela era entrar na Marinha. Ela estava estudando para isso", contou a mãe, acrescentando que será difícil conviver com a perda. "Olhar para as coisas dela e o quarto vai ser muito difícil. (AE)

Wellington, 23 anos, o executor

Em declarações para a imprensa local, o coronel Djalma Beltrame, comandante da Polícia Militar do Rio, disse que a carta de suicídio de Wellington Menezes de Oliveira era confusa e não tinha lógica. No texto, Oliveira assegurava que estava infectado pelo HIV e fez referências à religião muçulmana, segundo a polícia, que não divulgou o conteúdo integral da nota. Testemunhas citadas pelas autoridades disseram que o agressor, que estava bem vestido, entrou na escola e se apresentou como um palestrante que iria participar de um seminário em comemoração ao 40.º aniversário da escola e falou tranquilamente com uma professora que o reconheceu como ex-aluno. Num trecho da carta, ele deixa instruções sobre quem pode mexer em seu corpo e como ele deverá ser enterrado, além de pedir que orem por ele e que sua casa seja doada para alguma instituição que cuide de animais abandonados.

Trecho da carta:

"Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida."

"Ele atirava na cabeça deles"

"Eu só escutava gritos. Ele gritava: ‘Eu vou matar, é melhor vocês não fugirem. Não adianta correr’. E artirava nos pés deles". O relato dramático de Jade Ramos de Araújo, 12 anos, só não traduz de forma mais fiel a tensão que viveu ontem do que a palma da mão que ela mostra, rabiscada. Trancada numa sala da escola se proteger do assassino, ela recorreu a uma caneta para dar vazão ao medo. "Para me acalmar, fiquei desenhando na minha mão", contou. Ela só saiu da sala onde se refugiou ao ouvir os primeiros tiros após ser localizada pelo irmão. "Meu irmão saiu batendo de porta em porta e conseguiu me pegar. Eu só escutava gritos. Parecia uma cachoeira de sangue nas escadas", contou a aluna da 6.º série. "Agradeço aos policiais que salvaram a minha vida (porque) ele ia encurralar todo mundo lá em cima. Ele gritava: ‘Vira para a parede que eu vou te matar’. E atirava na cabeça deles. Tive muito medo de ele me matar." O carteiro Hercilei Antunes, 44 anos, mora bem em frente à escola e ficou em pânico quando ouviu os primeiros tiros. Logo pensou na filha, de 15 anos, e num sobrinho, alunos do colégio. "Eu ouvi os tiros e corri em direção à escola. Mas cada vez que eu ouvia um disparo eu parava, pois não sabia de onde vinham as balas. A polícia chegou rápido e, após a morte do assassino, corri. Só lembro de pegar os dois pelo braço e descer as escadas suando", afirmou. (AE)

Sem vínculo muçulmano

O presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil, Jamel El Bacha, negou que o atirador Wellington Menezes de Oliveira tenha vínculos com a representação e a religião muçulmana. Em nota oficial, a entidade condenou o crime e chamou o ato de "insano e inexplicável". "Reafirmamos que ele não é muçulmano e não tem qualquer vínculo com as mesquitas e sociedades em todo o Brasil".

Dilma, emocionada, decreta luto por três dias

Brasília - A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias pela morte das crianças da Escola Municipal Tasso da Silveira. As bandeiras em frente ao Palácio do Planalto já estão hasteadas a meio-mastro. Horas após o assassinato coletivo, Dilma falou sobre o episódio e se emocionou (foto). A presidente manifestou repúdio ao crime cometido contra crianças e pediu um minuto de silêncio ao público que estava no Palácio do Planalto para participar da cerimônia marcada para comemorar a marca de 1 milhão de empreendedores individuais formalizados.

A presidente também cogitou ir ao velório das vítimas: "acho que sim (irei ao velório). Vou falar agora com o Eduardo Paes (prefeito do Rio). Vou fazer todo o esforço para ir. Ele (Paes) não sabe o horário (do velório) ainda", afirmou. (ABr)

"Sentimento é de dever cumprido", diz primeiro PM a entrar na escola em Realengo
O terceiro sargento Marcio Alves entrou em confronto com o atirador, que teria se matado em seguida. Em entrevista coletiva, o governador do Rio, Sergio Cabral, disse que Alves evitou que o assassino continuasse a matança
Redação Época
O terceiro sargento da Polícia Militar do Rio Marcio Alves, o primeiro a entrar na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (7) contando detalhes do confronto com o atirador que matou pelo menos 12 pessoas em um atentado. Ele lamentou não ter chegado "5 minutos antes", mas disse sentir que "cumpriu seu dever".



Alves confirmou que estava dando suporte a uma blitz do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), a dois quarteirões da escola, quando foi chamado por um aluno ferido pelo atirador que conseguiu fugir da escola. "No segundo andar eu encontrei o meliante, ele apontou a arma para mim e eu atirei". Atingido na perna, o atirador, identificado como Wellington Menezes de Oliveira pela PM, teria atirado contra o próprio corpo. "No abdôme", segundo Alves. O policial contou que, logo após a morte do atirador, não atentou para as crianças. "Havia a notícia de que havia um segundo elemento no local, então eu circulei pela escola procurando essa pessoa", disse.
Mais cedo, o governador do Rio, Sergio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, concederam entrevista coletiva, na qual prometeram “todo apoio” às famílias das vítimas. Pegos de surpresa pelo atentado, Cabral e Paes estavam claramente abatidos e emocionados. “Nossa obrigação é dar toda a nossa solidariedade e apoio às famílias desse psicopata, desse animal”, disse o governador. Cabral afirmou que o criminoso estava “com armamento de um profissional” e fez um agradecimento especial ao terceiro sargento Alves, a quem chamou de “herói”.
Eduardo Paes, visivelmente emocionado, afirmou que a escola Escola Municipal Tasso da Silveira não será fechada, pois está, há 40 anos, "formando cariocas", e porque as escolas são "locais de integração". Ele confirmou que as aulas estão suspensas na sexta-feira (8).

O ATIRADOR JÁ MORTO.

A CARTA ENCONTRADA NO BOLSO DO ATIRADOR.


ALGUMAS FOTOS DA TRAGÉDIA.








O estudante Mateus Moraes, de 13 anos, contou que as meninas eram o alvo do atirador o ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. "Ele matava as meninas com tiros na cabeça. Nas meninas, ele atirava para matar. Nos meninos, os tiros eram só para machucar, nos braços ou nas pernas", disse o aluno, acrescentando que o atirador saiu da sala cinco vezes para recarregar as arma, e a ação durou cerca de cinco minutos.

O menino disse ainda que chegou a conversar com o atirador durante o ataque. "Estava no meio da aula de português quando ele apareceu. Só pedi a Deus para ele não me matar. E ele falou para eu ficar tranquilo que eu não ia morrer. Fiquei orando e pedindo a Deus para me guardar", disse o aluno do 7º ano.

Segundo o estudante, o alvo do atirador eram as meninas. "Ele matava as meninas com tiros na cabeça. Nos meninos, os tiros eram só para machucar, nos braços ou nas pernas", disse Mateus, acrescentando que o atirador saiu da sala cinco vezes para recarregar as arma, e a ação durou cerca de cinco minutos.

Mateus não sabe se conseguirá voltar à escola depois de sobreviver ao ataque. "Não sei se vou voltar aqui por causa das lembranças", disse o aluno, desolado.

Outros alunos também relataram momentos de pânico vividos no interior da escola na manhã desta quinta-feira (7).

A estudante Jade Ramos de Araújo, de 12 anos, disse que estava no meio de uma prova de Ciências quando começou a ouvir os disparos. "Todo mundo achou que era tiro, mas as professoras tentaram tranquilizar a turma", contou a menina.

Segundo ela, as crianças gritavam muito, mas as professoras pediam para fazerem silêncio. "Elas diziam: 'ele vai ficar nervoso, vai querer matar todo mundo'". Ao entrar nas salas, ainda segundo a menina, o atirador disse para que as crianças ficassem de frente para a parede. "Ele pedia para virarem de costas para a parede e falava que ia matar todo mundo. Foi nessa hora que alguns conseguiram fugir", relatou.

Nesse momento, de acordo com Jade, algumas crianças conseguiram correr em direção ao terceiro andar da escola. "Vi muito sangue nas escadas, crianças desmaiadas. Quando a gente subia tinha um bando de gente amontoada no chão. Os alunos foram pisoteados durante a fuga, as crianças iam fugindo subindo as escadas e algumas acabaram desmaiando", disse.

A menina contou ainda que contou com a ajuda do irmão, de 17 anos, para sair da escola. "Meu irmão veio me buscar, ele procurou de porta em porta. O atirador ainda estava vivo quando ele entrou e conseguiu me tirar daqui", falou.

'Fiquei nervosa, mas consegui fugir', conta aluna

"Fiquei muito nervosa, mas consegui fugir. Para me tranquilizar, fiquei desenhando na minha mão, desenhei uma casa", disse a menina Jade, que correu da escola levando apenas um lápis na mão e chegou em casa com o "tênis imundo de sangue".

Jade voltou à escola na tarde desta quinta (7) para tentar recuperar seus pertences e, principalmente, tentar falar com os policiais que a salvaram. "Vim para agradecer aos policiais porque ele ia matar todo mundo", completou.

Já o motorista de ônibus Elias Campista da Silva, disse que o sobrinho relatou que conseguiu fugir do atirador no momento em que ele recarregava uma de suas armas. "Ele correu na hora, escorregou numa poça de sangue, caiu e se machucou enquanto tentava fugir", contou o tio de Patrick da Silva Figueiredo, de 14 anos.


O SARGENTO QUE SALVOU A VIDA DE VÁRIOS ESTUDANTES !!!!



A presidenta Dilma Rousseff e ministros fazem um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do tiroteio em escola no Rio de Janeiro nesta quinta

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